Libertadores: River campeão, em uma final regida como um tango argentino

O tango é uma das expressões culturais mais representativas da Argentina. Nas suas principais características, estão o drama, a paixão, a agressividade e praticamente sempre a tristeza. A edição da Copa Libertadores da América 2018 poderia ser muito bem escrita e cantada através de um tradicional tango, já que teve todas todas os fatores em dois confrontos.

Essa música começou sendo escrita com muita euforia, quando os dois maiores times argentinos e a maior rivalidade do país chegou até a final da competição sul-americana. River Plate e Boca Juniors prometiam protagonizar a maior decisão de Liberadores da história. E de uma certa maneira, fizeram isso, por linhas tortas, com uma tristeza profunda pelos lamentáveis atos de violência ocorridos antes do segundo jogo, mas com drama, agressividade e muita paixão.

Depois de 14 dias de espera, a última nota desse tango foi tocada em terras europeias. O palco era de gala, digno de uma recital, o problema é que o motivo para estar em Madri era, como um bom tango, triste. A letra dessa música tem uma estrofe melancólica e amarga, para todos os apaixonados por futebol. A transferência de local do jogo, a falta de punição, a incompetência da Conmebol, arranharam o disco e deixaram torto o ritmo e a melodia da música.

Contudo, o tango seguiu e em pleno Santiago Bernabéu, os rivais “dançaram” conforme a música. A plateia estava lá, sedenta por um bom e velho tango argentino, com todos os ingredientes. Uma nota para agressividade, já que cada dividida era uma faísca. Outra nota para o drama: Benedetto abre o placar, em contra-ataque para ser visto e revisto e Pratto deixa tudo igual, em uma jogada de muita habilidade. Em tango que se preze, não poderia faltar emoção e numa partida dessas, não poderia faltar prorrogação.

No tempo extra, mais drama, com a expulsão de Barrios, volante do Boca. Triste para os xeneizes, que tiveram que ouvir a parte mais complicada dessa música. O maestro foi Quintero, colombiano que joga como quem regesse uma orquestra e que de fora da área bateu com maestria e virou o jogo. Se não bastasse tudo isso, Gago, experiente jogador deixava o Boca com nove em campo, o que não atrapalhou os músicos do time a colocarem ainda uma bola na trave no finalzinho dessa música, com Jara. No lance seguinte, Gonzalo Martínez colocou a última nota nesse tango.

Os apaixonados do River Plate cantaram felizes o tango da vitória por 3 a 1. Levantaram o quarto título de Libertadores e de quebra, deixaram a tristeza da tradicional música para o maior rival. Em uma final que poderia ser cantada pelos maiores interpretes argentinos, a paixão, o drama e a agressividade estiveram presentes, mas o sentimento de tristeza, como não poderia deixar de ser, não ficou de fora por tudo que marcou a competição sul-americana.

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