Uma final final histórica, mas não pelo futebol em campo

Uma final histórica. A maior decisão de todos os tempos da Copa Libertadores da América. Uma das maiores rivalidades do futebol mundial. Dois dos maiores clubes sul-americanos. Os dois principais clubes argentinos. Adjetivos, palavras e frases para um duelo que prometia ser fantástico, mas ficou marcado, mesmo antes da bola rolar.

River Plate e Boca Juniors chegaram para disputar uma final de Libertadores recheada de aspectos fora de campo. Torcida adversária ou única? Jogos sábados ou em dias de semana? Pequenas polêmicas que fazem parte de um grande jogo. Até mesmo as questões climáticas que atrapalharam a realização da partida de ida, deixaram uma atmosfera diferente, mas nada igual ao que ocorreu neste sábado.

 

Próximos ao Monumental de Núñez, torcedores do River Plate receberam o ônibus do Boca Juniors com pedras, garrafas e outros objetos, em uma visível falta de organização para proteger a delegação Xeneize. O resultado desses atos de vandalismo foram de janelas quebradas, jogadores do Boca machucados e gás de pimenta causando problemas respiratórios.

A partir desse fato, uma sucessão de erros e uma notável falta de organização da Conmebol. Reuniões, informações desencontradas, imagens e muita confusão. Uma mistura de vandalismo, desorganização e incapacidade de gestão, tudo com uma certa permissividade da entidade máxima do futebol sul-americano.

Um exemplo disso foi a entrevista de Carlos Tevez, um símbolo do Boca, dizendo que o clube estava “sendo obrigado a jogar”, “que os presidentes da Conmebol e da Fifa querem o jogo”, mas que os atletas “não tem condição de atuar”.

O “espetáculo” sendo mais importante que os fatos. Os interesses comerciais valendo mais que qualquer coisa. Os clubes com pouco ou nenhum poder. Retratos de um futebol que parece não conseguir se desfazer de amarras e continua vivendo no passado, onde “o futebol raiz” ainda é tratado como bonito, mas, na verdade, já deixou de ser raiz há muito tempo.

Independente do resultado de campo, a final tratada como histórica, realmente será lembrada para sempre, mas não pelo futebol, e sim pela vergonha.

 

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