Rivelino critica campeã França, fala do futebol brasileiro e diz que não há comparação entre Arthur e Iniesta

Em ano de Copa do Mundo, além de ver os craques desfilando nos gramados, acompanhar boas partidas e torcer para sua seleção vencer, sempre se espera ver algo diferente em campo. Os Mundiais sempre apresentam alguma inovação tática, ou minimamente, uma ideia de futebol, um estilo de jogo em destaque. Após a edição de 2018, muito se discutiu sobre o legado futebolístico que a Copa na Rússia deixaria e o que a vitória da França poderia servir de lição para o restante da temporada e para os anos seguintes.

Para um dos grandes meias do futebol brasileiro e campeão do Mundo com uma das maiores seleções que já levantaram o troféu mundial, a seleção francesa não deixou nada para o futebol. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, o tricampeão com o Brasil em 1970, Rivelino afirmou que o time tinha grandes jogadores, mas que criavam pouco.

Não deixaram nada de nada, mas é o futebol que, infelizmente, é praticado hoje. É uma equipe com jogadores de qualidade, mas que criam muito pouco. Foi muito pobre. Até mesmo escolher o melhor do mundo não foi fácil. O que jogou uma grande Copa foi Hazard, eu gosto muito dele”, afirmou o ex-jogador do Tri.

Rivelino afirmou na entrevista que não está gostando do futebol praticado atualmente. Segundo ele, “falta qualidade e referências”, além de faltar criatividade. Mas o ex-jogador de Corinthians e Fluminense, revelou algo que ele gosta no futebol atual: as equipes de Guardiola.

As equipes do Pep (Guardiola) sempre querem a bola. Eu também a amava, não gostava de correr sem ela. Pep é cercado por jogadores inteligentes que sabem ocupar os espaços. A equipe espanhola herdou a ideia de Guardiola”, disse Rivelino.

Quanto ao futebol brasileiro, Rivelino demonstrou certa preocupação com a qualidade dos jogadores que estão atuando por aqui. “Não há um grande jogador, uma referência que jogue no país. Eu nunca tinha visto tantos estrangeiros no futebol brasileiro, e às vezes são mais referência do que os brasileiros”. Para o ex-jogador, um dos problemas está nas categorias de base, que dão preferência ao jogo tático do que ao talento.

As crianças que começam a fazer coisas diferentes não são do agrado dos que trabalham na formação, que só querem aqueles que correm muito. No meu tempo, os melhores foram convocados em cada posição, hoje o jogador tático é convocado, o que ele cumpre taticamente, sem ser crack”.

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Seleção brasileira de 1970 com Rivelino e outros craques (Foto: Arquivo/CBF)

Rivelino ainda destaca dois jovens talentos brasileiros, Vinícius Junior e Arthur. Sobre o jogador do Real Madrid, o ex-meia afirma que ele é diferente, quebra as defesas adversárias. “Eu gosto desses jogadores. Ele acredita em driblar, não é aquele que só joga lateralmente. Esses jogadores estão sendo perdidos, especialmente no Brasil”.

Sobre o ex-jogador do Grêmio e atualmente no Barcelona, Rivelino elogia, mas faz ressalvas, principalmente pelo estilo de jogo. “Arthur é um jogador interessante, mas ele tem um problema: ele joga muito curto. O Barça é uma equipe que joga muito agrupada, mas ele não tem um passe longo. Às vezes comparam Arthur com Iniesta, que era um mágico fantástico. E não há comparação, são totalmente diferentes. Arthur é interessante, ele pode dar muito ao Barça pelo estilo de posse e toque de passe rápido, mas ele não tem chegada à área, tiro e drible. Não tem essas virtudes”, concluiu Rivelino.

Confira a entrevista completa de Rivelino ao Marca.

 

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