Seja no futebol ou na política, fanatismo já causou muitos estragos

No ano de 2013, eu terminei minha faculdade de jornalismo e apresentei meu trabalho de conclusão sobre violência no futebol e abordagem da mídia sobre o assunto. Esse “tcc” foi um pouco complexo, pois não abordei somente os campos futebolísticos e jornalísticos, entrei na área social e busquei entender o funcionamento de uma engrenagem, que hoje em dia está muito forte: o fanatismo.

Entre excelentes livros e trabalhos que usei como fontes para pesquisa, um deles foi fundamental para compreender o conceito e as faces desse estado psíquico. O livro se chama “Faces do Fanatismo“, organizado por Carla Bassanezi Pinsky e Jaime Pinsky e que reúne textos de historiadores, cientistas sociais e jornalistas.

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Logo de cara, uma definição bem direta para o que estamos falando: “fanático é um termo cunhado para denominar pessoas que seriam partidárias extremistas, exaltadas e acríticas de uma causa… O grande perigo do fanático consiste exatamente na certeza absoluta e incontestável que ele tem a respeito de suas verdades”.

O livro aborda o tema, dividindo o assunto em quatro faces de fanatismo: religioso, racista, político e esportivo. Na âmbito esportivo, o conceito básico diz que “o ato de torcer por este ou aquele time, algo que deveria ser saudável e divertido, surge como o mais novo fundamento para atitudes antissociais e violências, não só contra torcedores dos times ‘inimigos’, mas também contra determinados grupos étnicos, mulheres, homossexuais e migrantes”.

Torcidas organizadas, hooligans e ultras, são fanáticos que se fecham em grupos, usam a camisa de um clube e destilam ódio e violência contra rivais.

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Passados cinco anos daquele trabalho, recentemente me voltei ao tema e percebi quão atual e vivo o assunto permanece, seja no futebol, ou então na política. Quando vejo o atual cenário em que estamos vivendo, lembro imediatamente de mais um conceito do livro: “é condição do fanático a irracionalidade”. Os autores não falam no livro sobre redes sociais ou fake news, mas podemos adicionar o incalculável papel dessas novas ferramentas na propagação do fanatismo.

Twitter, Facebook, WhatsApp e todas as ferramentas usadas hoje, estão servindo para fanáticos de todos os campos mostrarem suas faces, até porque, nas redes sociais, é visível outro aspecto do ser fanático, o de “não aceitar discussões ou questionamentos racionais com relação àquilo que apresenta como sendo seu conhecimento”. Em outras palavras, debater ou ponderar diante de “dogmas” ditos por líderes é sempre um campo minado na área dos fanáticos.

Por fim, não posso dizer nada que não seja, cuidado. Como o próprio livro diz, “qualquer pessoas de bom senso sabe que o fanatismo já provocou muito estrago… é preciso reconhecê-lo em suas diversas manifestações e saber até onde foi para se ter uma ideia de até onde poderá ir, se não for detido”.

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